← Blog

Como apresentar um dispositivo de CAA a uma criança não verbal

Por Anna, fonoaudióloga da SpeakPad

Levar para casa um dispositivo de CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa) para o seu filho é um grande momento. Seja um dispositivo de fala dedicado ou um app em um tablet, as primeiras semanas realmente definem como seu filho vai se relacionar com essa nova forma de se comunicar. Se você está sentindo uma mistura de esperança e insegurança, isso é completamente normal.

Este guia reúne as estratégias práticas e baseadas em evidências que os fonoaudiólogos recomendam ao apresentar a CAA a uma criança não verbal ou pouco verbal.

O uso de CAA pode ajudar a melhorar a fala natural quando utilizado em uma abordagem multimodal.

ASHA Practice Portal: Augmentative and Alternative Communication · Traduzido do inglês
Um cuidador ajudando uma criança a usar um dispositivo de comunicação de CAA

1. Comece modelando, não testando

A coisa mais importante que você pode fazer é modelar o uso do dispositivo você mesmo. Isso significa usar o dispositivo de CAA para se comunicar junto com seu filho, tocando nos símbolos enquanto fala ao longo do dia.

Pense nisso como aprender um novo idioma. Uma criança aprende a falar ouvindo milhares de horas de linguagem antes de dizer a primeira palavra. Com a CAA não é diferente. Seu filho precisa ver você usando o dispositivo antes de se sentir à vontade para usá-lo.

Dica prática:

Nas refeições, toque no símbolo de "comer" ou "beber" toda vez que disser a palavra. Você não está pedindo nada ao seu filho. Apenas deixe que ele veja você usando o dispositivo com naturalidade.

2. Sem pressão

Resista à vontade de fazer perguntas de teste. Perguntar "O que é isso?" ou "Me mostra a maçã" transforma o dispositivo em uma prova, e não em uma ferramenta de comunicação. Em vez disso, incorpore o dispositivo às rotinas do dia a dia:

O objetivo é mostrar ao seu filho que o dispositivo serve para expressar vontades e sentimentos reais, e não para passar em uma prova.

3. Comece pequeno, com palavras essenciais

Estudos sobre as conversas do dia a dia mostram que algumas centenas de palavras essenciais correspondem à maior parte do que dizemos. Palavras como "mais", "parar", "ir", "ajuda", "quero", "eu", "você" e "isso" são muito mais versáteis do que substantivos específicos.

Ao configurar o dispositivo do seu filho, garanta que essas palavras de alta frequência fiquem em destaque. A maioria dos apps de CAA já vem com pranchas de palavras essenciais, então talvez você não precise configurar muita coisa no começo. O SpeakPad abre em uma prancha fixa de palavras essenciais, com essas palavras frequentes já no lugar, para você começar a modelar no primeiro dia, de graça. Deixe as letras ao alcance também: a leitura compartilhada e as primeiras experiências com a escrita dão ao seu filho um jeito de dizer palavras que ainda não estão em nenhuma prancha.

"Uma criança que consegue dizer 'mais' pode pedir mais comida, mais bolhas de sabão, mais balanço, mais leitura. Uma palavra, usos infinitos."

4. Não tire o dispositivo da criança

Um dos erros mais comuns é tratar o dispositivo de CAA como um brinquedo ou um privilégio, tirando-o na hora de dormir, nas viagens de carro ou nas visitas à família. Mas, para uma criança que depende da CAA, tirar o dispositivo é como dizer a uma criança que fala que ela não pode falar.

O dispositivo deve estar disponível o dia todo, todos os dias, em todos os ambientes: em casa, na escola, no parque, na casa da vovó. O acesso constante gera confiança e reduz a frustração. Como o SpeakPad funciona totalmente offline, o dispositivo continua funcionando no carro, no parque ou na casa dos avós, sem sinal e sem conta.

5. Conte com um caminho longo

Não existe um prazo fixo. Muitas crianças precisam de meses de modelagem constante antes de começarem a usar a CAA por conta própria. Algumas começam antes, outras demoram mais. As duas coisas são normais.

Não meça o sucesso pelo fato de seu filho formar ou não frases completas no primeiro mês. Comemore cada interação:

  1. Olhar para o dispositivo quando você modela. Isso é atenção e interesse.
  2. Tocar em qualquer botão, mesmo ao acaso. Isso é exploração.
  3. Estender a mão para o dispositivo durante uma rotina. Isso é intenção.
  4. Apertar uma palavra de propósito. Isso é comunicação.

Cada uma dessas etapas é um avanço. Cada uma importa.

6. Envolva todo mundo

A CAA funciona melhor quando todas as pessoas da vida da criança a usam. Isso significa que irmãos, avós, professores, babás e terapeutas precisam saber o básico. Você não precisa transformar ninguém em especialista. Basta incentivá-los a:

Usar o dispositivo do mesmo jeito em casa, na escola e com a família dá ao seu filho muito mais oportunidades de aprender.

7. Trabalhe junto com o fonoaudiólogo

O fonoaudiólogo é seu maior aliado na jornada da CAA. Ele pode ajudar você a:

Se seu filho ainda não tem fonoaudiólogo, peça um encaminhamento ao pediatra. Muitos fonoaudiólogos fazem atendimento on-line, o que pode ajudar muito as famílias que moram em áreas rurais.

8. Escolha um dispositivo que combine com a sua família

Ao escolher um app ou dispositivo de CAA, considere estes fatores práticos:

Pontos principais

Procurando um app de CAA?

CAA privada e offline para iPhone e iPad. Falar é sempre grátis, com ferramentas opcionais do SpeakPad Pro para cuidadores.

Baixar na App Store Conheça o SpeakPad

Fontes

  1. American Speech-Language-Hearing Association (n.d.). Augmentative and Alternative Communication. ASHA Practice Portal.
  2. Romski, M., Sevcik, R. A., Adamson, L. B., Cheslock, M., Smith, A., Barker, R. M., & Bakeman, R. (2010). Randomized comparison of augmented and nonaugmented language interventions for toddlers with developmental delays and their parents. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 53(2), 350-364.
  3. Millar, D. C., Light, J. C., & Schlosser, R. W. (2006). The impact of augmentative and alternative communication intervention on the speech production of individuals with developmental disabilities: a research review. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 49(2), 248-264.
  4. Beukelman, D. R., Jones, R. S., & Rowan, M. (1989). Frequency of word usage by nondisabled peers in integrated preschool classrooms. Augmentative and Alternative Communication, 5(4), 243-248.

Leituras relacionadas